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Caiado ironiza Flávio depois leitura de carta de Bolsonaro

 Pré-candidato do PSD disse que um presidente precisa demonstrar liderança própria e criticou a dependência do senador em relação ao pai




O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), criticou neste sábado (11.jul.2026) o senador e também pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Em publicação no X (ex-Twitter), Caiado ironizou o fato de o senador ter lido uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante uma transmissão ao vivo no YouTube.

“Flávio Bolsonaro, 45 anos, leu uma carta do pai ao vivo para dizer que está pronto para ser presidente. É isso“, disse Caiado.

A declaração foi feita depois de Flávio divulgar a carta entregue por Jair Bolsonaro na manhã deste sábado. No texto, o ex-presidente pede que aliados deixem divergências de lado e preservem a união da direita, em meio às disputas internas no campo conservador.

Em um 2º post, o ex-governador afirmou que um candidato à Presidência precisa demonstrar capacidade de tomar decisões sem depender da aprovação de outro líder. Segundo ele, o eleitor espera que o chefe do Executivo conduza o país por conta própria, especialmente em momentos de crise.

 

Caiado citou como exemplo eventuais conflitos envolvendo Venezuela, Bolívia e Argentina e afirmou que “a liderança não é herdada, ela é demonstrada”.

CARTA DE BOLSONARO

Flávio Bolsonaro leu neste sábado (11.jul.2026) uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante uma transmissão ao vivo no YouTube. Segundo o senador, o documento foi entregue durante uma visita ao pai na manhã do mesmo dia.

Na mensagem, Jair Bolsonaro manifesta apoio à pré-candidatura de Flávio à Presidência da República, define o filho como seu “porta-voz” e “a melhor opção” para livrar o Brasil “da corrupção, da violência e do empobrecimento”.

Depois da leitura, Flávio afirmou que a carta representa um apelo pela união entre apoiadores e disse ter recebido do pai a missão de evitar “falas conflitantes” na condução da pré-campanha.

Eis a íntegra da carta:

Carta aos brasileiros

“Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós.

“O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e empobrecimento.

“Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade.

“Um afetuoso abraço a todos na certeza de que, juntos, tudo faremos pela nossa pátria.

“Deus, Pátria, Família e Liberdade

“Jair Bolsonaro.”

Carta de Bolsonaro é tentativa de desviar atenção de denúncia contra Valdemar e possível vídeo de Flávio, diz cientista político



Em carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) neste sábado (11/7), o ex-presidente Jair Bolsonaro afirma que o filho é seu porta-voz e pede que diferenças sejam deixadas de lado.

O documento vem a público após embates entre o pré-candidato à Presidência pelo campo bolsonarista e a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro.

"Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós. O momento é de arregaçar as mangas e deixar de lado possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro", escreve o ex-presidente.

"Meu porta-voz no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e prosperidade", completa Bolsonaro, no documento, lido por Flávio nas redes sociais.

"Fica-se muitas especulações acontecendo, muitas pessoas parecem que estão boicotando até a candidatura, esperando o momento certo para vestir a camisa do Bolsonaro e ir para rua", comentou Flávio, após a leitura da carta.

"[Quero] agradecer ele por estar me colocando como seu porta-voz. Isso é muito importante para evitar que existam falas conflituosas ou direções diferentes que porventura alguém possa estar seguindo."

Para o cientista político Creomar de Souza, sócio-fundador Dharma Political Risk and Strategy, a carta divulgada neste sábado é uma desautorização por parte de Bolsonaro a Michelle e outros participantes do campo da direita que reivindicam o espólio bolsonarista.

"A carta é um jeito de dizer: 'olha, o bolsonarismo sou eu e na minha ausência são os meus filhos, e dos meus filhos, aquele que é candidato", diz Souza.


"Ao não citar a Michelle, ao não citar Valdemar [Costa Neto, presidente nacional do PL, partido de Bolsonaro], ao não citar qualquer outro nome da direita que não seja do núcleo familiar, ele diz 'o bolsonarismo é a família Bolsonaro e, se precisar, em algum momento muda-se de partido."

Carta aos brasileiros:

Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós. O momento é de arregaçar as mangas e deixar de lado possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e empobrecimento.

Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e prosperidade.

Um afetuoso abraço a todos na certeza de que, juntos, tudo faremos pela nossa pátria. Deus, pátria, família e liberdade.

Crédito,Divulgação

Legenda da foto,Carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro neste sábado (11/7)


Souza observa que o momento de divulgação da carta tem por objetivo retomar o controle da agenda política.

"Por que a carta agora? Porque a carta precisa esvaziar o noticiário de ontem [sexta, 10/7], que era o noticiário hiper negativo sobre o Valdemar da Costa Neto e o burburinho em torno da possibilidade de vazamento de um vídeo de Flávio Bolsonaro em uma das festas do [ex-banqueiro Daniel] Vorcaro", diz o analista.

"Então, a carta tem um componente explícito de enquadramento e um componente implícito de controle da economia da atenção."

Na sexta-feira, Valdemar Costa Neto tornou-se alvo de uma investigação que apura supostas irregularidades na indicação de emendas parlamentares. Segundo a Polícia Federal (PF), ele teria influenciado a destinação de recursos públicos mesmo sem exercer mandato no Congresso Nacional.

Com base nos indícios apresentados pela PF, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou a suspensão das emendas parlamentares e o bloqueio de até R$ 119,2 milhões de bens do dirigente. O presidente do PL nega qualquer irregularidade.

Ao longo desta semana, diversas notícias na imprensa relatam a expectativa de aliados de Flávio Bolsonaro quanto ao possível vazamento de um vídeo comprometedor envolvendo o senador.

Flávio já disse publicamente que não há chance de aparecerem imagens dele em uma festa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mas a colunista Bela Megale, do jornal O Globo, fala que o entorno bolsonarista teme o vazamento de imagens de outro evento que, conforme apurou a jornalista, teria provocado uma crise no casamento de Flávio há cerca de quatro anos.

Impacto na campanha de Flávio e no futuro de Michelle

Para Creomar de Souza, a carta de Bolsonaro fala a convertidos e não deve ter grandes impactos para fora deste círculo.

"O grande problema do Flávio é que ele tem um histórico complicado, então sempre tem alguma coisa para explodir, uma crise para conter, um incêndio para apagar — alguns que são da própria biografia do Flávio e outros que são derivados da pressão dos irmãos."

Ele cita, por exemplo, o "fogo amigo" de Eduardo Bolsonaro contra o coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN).

Quanto às implicações para o futuro político de Michelle Bolsonaro, o cientista político avalia que a carta é parte de uma série de invalidações que a ex-primeira dama vem sofrendo nas últimas semanas, incluindo sua saída da presidência do PL Mulher e fritura nas redes sociais por aliados bolsonaristas.

"Essa invalidação tem um objetivo de enquadramento, de dizer 'olha, você pode ser importante do portão de casa para fora, mas dentro de casa você vai ter que cantar a nossa música'", diz Souza.

O analista observa, porém que, apesar da desproporção de forças dentro da dinâmica partidária e familiar, Flávio precisa dos votos que Michelle angaria no palanque, por ter no voto feminino uma das principais fragilidades de sua pré-campanha.

"Michelle não tem mais tempo para mudar de legenda neste ciclo eleitoral, o que complica a situação dela", observa o analista.

"Mas ela tem a possibilidade de ser senadora, de fazer uma segunda senadora e a governadora do Distrito Federal", afirma.

"A questão de um milhão de dólares é se ela vai querer, porque ela teve uma amostra grátis de maneira muito clara do nível de estrago reputacional que o bolsonarismo em ambiente digital pode fazer com qualquer um, inclusive com ela."

Michelle sentado em uma mesa com feição séria enquanto fala de Flávio Bolsonaro

Crédito,Reprodução Instagram/Michelle Bolsonaro

Legenda da foto,A carta de Bolsonaro vem a público dias depois de Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro trocarem acusações pelas redes sociais

Lula 'joga parado'

Já para a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a carta é mais um elemento da conturbada pré-campanha de Flávio, que tem beneficiado o petista, que cresce nas intenções de voto "jogando parado".

"Me parece que Lula, Sidônio [Palmeira, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação do governo] e Edinho [Silva, presidente do PT] entenderam que 'olha, a gente está tendo dificuldade de construir a agenda, então vamos ficar nesse momento quietinhos, vamos tomar cuidado com o defeso eleitoral para não criar problemas com o Kássio Nunes e o André Mendonça [atuais presidente e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral], e vamos deixar eles se arrebentaram."

Para Souza, o ponto central dessa crise é que a disputa pelo legado de Bolsonaro se dá com o ex-presidente ainda vivo, embora momentaneamente fora do jogo político por estar preso e inelegível.

"É diferente do que acontece no PT. Não tem uma briga pelo espólio do Lula, essa briga vai ser depois", diz o analista.

"No bolsonarismo, a briga é pelo espólio, por quem vai mandar. Isso coloca um nível de hostilidade interna muito grande no campo da direita."

O analista observa ainda que, com o início oficial da campanha a partir de 16 de agosto, o tempo curto de campanha tende a favorecer o governo. "Porque é menos tempo para tomar pedrada e mais tempo para mostrar os problemas da oposição."

A grande incógnita, no entanto, é que ainda não se sabe qual será o Flávio da campanha eleitoral.

"Não sabemos se será o Flávio do início do ano, antes dos escândalos, que tentava se vender como um Bolsonaro moderado, ou se é o Flávio que vai entrar numa campanha tão pressionado que vai ter que apelar para o radicalismo", diz Souza.

"Esse conflito está aberto dentro da campanha dele, e se manifesta no embate entre Eduardo e Rogério Marinho."

Leia a íntegra da carta de Jair Bolsonaro

Carta aos brasileiros:

Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós.

O momento é de arregaçar as mangas e deixar de lado possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e empobrecimento.

Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e prosperidade.

Um afetuoso abraço a todos na certeza de que, juntos, tudo faremos pela nossa pátria.

Deus, pátria, família e liberdade.

💥 FOGO NO PARQUINHO DA DIREITA: A Carta de Bolsonaro e o Racha na Oposição

O cenário político para as eleições presidenciais acaba de ganhar novos capítulos de pura tensão. Neste sábado, o senador Flávio Bolsonaro (PL) leu ao vivo uma carta escrita por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que o oficializa como seu "porta-voz" e pré-candidato oficial à Presidência.

Mas o que parecia um gesto de união acabou virando alvo de piada e revelando rachas profundos no campo conservador. Entenda os principais pontos:

🥊 1. Ronaldo Caiado Ironiza

O ex-governador de Goiás e também pré-candidato, Ronaldo Caiado (PSD), não poupou críticas no X (antigo Twitter). Caiado ironizou o fato de um homem de 45 anos precisar ler uma carta do pai para se validar como líder. Segundo ele: "A liderança não é herdada, ela é demonstrada".

🛡️ 2. Estratégia de Abafamento?

Cientistas políticos apontam que a divulgação da carta foi um movimento cirúrgico de "controle de danos". O objetivo? Tirar o foco de duas bombas que estouraram na mesma semana:

  • A investigação e bloqueio de bens de Valdemar Costa Neto (presidente do PL).

  • Os boatos sobre o suposto vazamento de um vídeo comprometedor envolvendo Flávio Bolsonaro.

⚡ 3. O "Enquadramento" de Michelle Bolsonaro

A carta também foi vista como um recado interno claro para a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, após embates públicos com Flávio. Ao não citá-la, Jair Bolsonaro sinaliza que o espólio político pertence ao núcleo familiar. O problema? Flávio precisa desesperadamente do voto feminino, principal força de Michelle, para sua campanha decolar.

🤫 4. Lula "Jogando Parado"

Enquanto a direita se fragmenta em disputas internas e "fogo amigo" (como os desentendimentos entre Eduardo Bolsonaro e o coordenador de campanha Rogério Marinho), o lado governista assiste de camarote. Estrategistas de Lula apostam no silêncio, deixando que a própria oposição se desgaste antes do início oficial das campanhas em agosto.

💬 E você, o que achou da postura de Caiado? A carta de Bolsonaro fortalece Flávio ou mostra dependência política? Deixe sua opinião nos comentários!

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